Em entrevista ao Flow Sport Club, o ala, que já foi eleito duas vezes o
melhor jogador jovem do mundo, também revelou ter recebido uma proposta
do Corinthians
Leozinho também detalha briga que motivou saída do Sorocaba
Três meses depois de ser dispensado
pelo Sorocaba Futsal, o ala Leozinho deu uma longa entrevista ao canal
Flow Sport Club no Youtube, nesta terça-feira. O atleta deu detalhes
sobre a briga com o técnico Ricardinho, que motivou sua saída do clube
do interior paulista.
Além de contar sobre uma proposta do Corinthians, o ala de 23 anos, que
já foi eleito duas vezes melhor jogador jovem do mundo, também revelou
que vai trocar o futsal pelo futebol de campo.
Nascido em Petrópolis-RJ, Leozinho foi nome frequente da Seleção nos
últimos dois anos. Disputou o Mundial de Futsal da Lituânia, no ano
passado. Por clubes, jogou apenas no Sorocaba Futsal, onde foi revelado
em 2017, quando foi um dos sete selecionados em uma peneira de mais de
mil garotos.
Pela equipe sorocabana, conquistou diversos títulos, entre eles a Liga
Nacional de Futsal 2020, o Mundial de clubes em 2018 e 2019, o
Campeonato Paulista em 2020 e 2021, a Liga Paulista 2017 e a Supercopa
do Brasil em 2020 e 2021. Considerando apenas a Liga Nacional, marcou 25
gols em 92 jogos.
Em agosto de 2022, Leozinho foi dispensado por indisciplina e problemas de relacionamento.
Em nota oficial da época, o Sorocaba informou que a rescisão foi devido
a "divergências de pensamentos, atitudes e comportamentos". Sobre as
novas declarações do atleta, desta terça-feira, o clube preferiu não se
manifestar.
Proposta do Corinthians
Depois da saída do Sorocaba, Leozinho revelou no podcast ter sido
procurado por diversos clubes, entre eles o Corinthians, atual campeão
da Liga Nacional de Futsal.
Recebi bastante ligações de clubes do Brasil. O Corinthians me
procurou. É um clube de massa, torcida surreal. Sempre que eu ia jogar
lá, ficava arrepiado, cantava junto. Fiquei muito feliz. Teve outros
clubes que me procuraram, telefone tocou bastante, mas eu não acertei
com ninguém. Precisava de um tempo para mim, um tempo para pensar, o que
eu quero para minha vida. Você escuta algumas coisas que fazem você
repensar, se é isso que a gente quer — disse o jogador de 23 anos.
Das quadras para os gramados
Esse tempo para pensar fez Leozinho tomar uma decisão drástica em
relação à sua carreira. O atleta vai tirar a chuteira de futsal e vai
passar a usar uma com cravos. Os dribles do futsal agora serão nos
gramados. Durante a entrevista ao Flow Sport Club, o jovem carioca não
revelou o clube de destino, mas garantiu que será fora do país.
Tudo isso (que enfrentei) foi uma passagem para eu viver meu sonho de
verdade. Quando essa possibilidade (de jogar no campo) se tornou
possível, eu não pensei duas vezes, independentemente da história que eu
tinha feito no futsal. Fiz minha história e chegou a hora de virar a
chavinha. O clube não posso revelar ainda, porque ainda tem algumas
questões contratuais. Como eu não assinei nada, ainda não vou divulgar.
Mas nesses dois meses, eu estava sumido porque eu estava trabalhando.
Vou adiantar que não foi um clube do Brasil. Passei por uma avaliação
por 60 dias para ver como eu reagiria e me adaptei super bem. Vou de
cara nesse desafio, que é o que eu sempre quis. Vou provar que eu
consigo. Mostrar para essa molecada não desistir.
Em 2021, a troca das quadras pelos campos já se intensificou. Eu já
não renovaria com a Magnus. Eu não forcei a briga. Já não ia ficar, mas
acabou acontecendo minha saída e encaixou tudo — contou Leozinho sobre
seu desejo antigo de brilhar nos gramados.
A briga com Ricardinho
Na entrevista desta terça-feira, Leozinho também deu a sua versão sobre
a briga e os últimos dias no Sorocaba Futsal. O clima esquentou
bastante entre o jogador e o técnico Ricardinho, no intervalo da partida
contra o Foz Cataratas, pela Liga Nacional de Futsal, no dia 15 de
julho deste ano.
Foi uma briga daquelas. Intervalo do jogo, a gente estava vencendo
por 1 a 0 e aí ele (Ricardinho) ficou revoltado com algumas atitudes que
ele não gostou, que eu tive dentro do jogo. Ele não gostou e veio me
cobrar de uma forma que eu achei que passou do limite. Eu falei que não
concordava. Ele (Ricardinho) foi e falou: então você não volta para o
jogo mais. E aí, eu fiquei cego. Falei algumas coisas pesadas para ele,
que nem vou citar aqui, no talo. Teve reunião, fui mandado embora,
porque disseram que a relação Léo e Magnus precisava ser interrompida —
contou.
Não tenho raiva nenhuma dele (Ricardinho). Eu acho que não tem certo e
errado nessa situação. Vou ter uma parte que vou estar certo, ele vai
ter uma parte que está certo. Eu também não sou santo, sou um cara
polêmico, tenho uma personalidade muito forte. Mas acho que as pessoas
acima de nós poderiam ter coibido a situação para não chegar a esse
ponto — continuou Leozinho.
Três dias depois do jogo contra o Foz, o jogador contou que foi chamado
pelo presidente do Sorocaba, Fellipe Drommond, que o afastou do clube.
Aconteceu o incidente na sexta-feira. Na segunda, o presidente marcou
uma reunião comigo. Até então, não imaginava que eu seria mandado
embora. O presidente falou que a relação precisava ser interrompida, que
já estava muito desgastada, porque já vinha acontecendo. Eu falei para
ele: eu não concordo, eu acho que a corda está estourando só para um
lado. Eu sei que eu falei coisas pesadas para ele, mas eu também tive
que ouvir coisas pesadas. Tinha gente lá dentro do vestiário, todos os
atletas viram o que aconteceu e você está só me punindo. O presidente
falou: Léo, eu pensei muito antes de tomar essa decisão, mas já está
decidido. Sei que posso ter consequências negativas por causa dessa
decisão. Então falei: não tenho o que fazer, agradeço. Abertas as portas
para mim, sucesso para o clube e vida que segue.
Confira outros trechos da fala de Leozinho sobre a briga e os últimos dias no Sorocaba:
Afastamentos de Leozinho (até por dar lambreta)
O que culminou com minha saída acontece desde que eu cheguei em 2017.
Eu sempre tive um desgaste com o treinador, porque a forma que ele me
cobrava, passava dos limites. Quando passava do limite, eu rebatia. Isso
começou bem pequenininho, mas foi piorando. Aí ficava um tempo sem ter
problemas, acontecia alguma coisa: briga, discussão. E tem a tal da
hierarquia. Todo lugar vai ter. Acho que hierarquia tem limite e esse
limite era ultrapassado. E quem estava acima dele (Ricardinho), não
corrigia. Sempre sobrava para o Léo. O Léo brigou, era afastado. O Léo
tentou dar uma lambreta no treino, está fora do jogo. Isso eu ia
engolindo, aí tinha uma hora que eu não aguentava. Depois, (o clube)
teve que aceitar, porque viram que eu não ia mudar. Não estou querendo
fazer a caveira de ninguém, mas eu já fui botado para fora de um treino
porque eu dei uma lambreta.
Hierarquia
Fui um pouco injustiçado pela hierarquia. Ele é o técnico e eu sou o
jogador, mas só porque ele é o treinador, eu tenho que ir embora e
acabou? Não vai ouvir meu lado?
Relação com o técnico Ricardinho
Tinha uma relação boa até com o Ricardo. Já cheguei a achar que era
pessoal a coisa. Até no dia, disse que parecia que ele estava com inveja
de mim. Até me arrependi. Você esfria a cabeça e começa a ver as coisas
por outro lado. Às vezes ele podia ter um carinho tão grande comigo,
que a forma de cobrar era mais áspera. Às vezes essa forma de estar
comigo desde o início, acaba fazendo que ele passasse do limite. Ele tem
um jeito parecido com o meu, essa personalidade forte. A nossa vontade
de vencer é igual.
Gratidão pelo Sorocaba
O Magnus me abraçou, me deu a oportunidade. Se eu sou o Leozinho que
sou hoje, graças a eles, ao presidente, supervisor, ao treinador que me
ajudou muito. Não sou hipócrita de dizer que consegui tudo sozinho. É um
clube que continuo torcendo. Desde que saí de lá, não perdi nenhum
jogo. Estava lá gritando dentro de casa. Fiz amigos, pessoas que vou
levar por toda a minha vida. Espero que eles tenham aprendido com a
situação, que pode acontecer de novo com outro atleta. E que eu tenha
aprendido também.
Lado impulsivo e explosivo
Sou impulsivo. O que me mata é injustiça e uma situação: eu estou
certo aqui e você quer me tirar? Quer me humilhar? Aí pisou no meu calo,
esquece. Algumas vezes eu escolhi o jeito errado e isso faz que
aconteça o que aconteceu no Magnus. Por mais que eu esteja certo, nada
justifica eu reagir da forma que eu reagia e isso traz consequências,
nem sempre boas. Se eu estou errado, eu estou errado. Não acho que era o
100% certo na situação do Magnus. Eu sei que eu tenho meus defeitos,
que eu posso melhorar e eu sou verdadeiro, falo na cara. Às vezes eu sou
sincero até demais. Paguei um pouco por esse jeito implosivo,
explosivo.
Terapia
Faço diariamente um projeto de mentoria esportiva, para ajudar na
parte de psicologia, para se preparar para situações difíceis. Mas
precisa ter a parte prática, no momento que o jogo está com os nervos à
flor da pele. Às vezes, eu tenho atitudes de momento que podem me
prejudicar para o resto da minha vida.
Fonte: Arcílio Neto - Redação do GE / Foto: Guilherme Mansueto